origens

O século é XXI, o ecossistema é globalizado; a indústria, o comércio, a política, o sistema econômico. As relações não têm mais fronteira. As notícias e as informações se transformam em uma enxurrada de angústia e apreensão. Não parece coerente nessa realidade - sermos uma comunidade biótica revolucionária, tecnológica e conectada -, a compreensão de que não nos unimos. O que é comum em cada indivíduo é crer pelo mesmo propósito: transmitir e praticar amor, respeito, compaixão, e celebrar à vida. Acreditar na esperança de que as transformações acontecem a cada novo ciclo e na capacidade da sociedade em aprender novamente a ser mais humana por essência. Compreender que o verdadeiro senso de comunidade será apenas alcançado a partir de particulares e pequenas transformações.

Os povos ameríndios originários possuíam suas crenças baseadas em rituais politeístas e em divindades conectadas às forças da natureza: fauna, flora e sua relação com o homem. A partir dos períodos de colonização, ao mesmo tempo em que os povos indígenas foram forçados a viver em condições impostas e sua cultura reprimida foi se dispersando, esse processo transformou no que hoje conhecemos por América: uma região de grande diversidade cultural e religiosa. Onde a miscigenação das culturas locais, européias e africanas tornou possível um mesmo indivíduo fazer preces a Deus, oferendas à Iemanjá e praticar yoga; libertando-o de preconceitos e ampliando a visão sobre sua própria fé.

A intenção do projeto partiu em defesa da reconexão do ser humano com o senso de comunidade com a natureza. Um lugar onde haja liberdade. Sem repressão e preconceito. Onde se possa peregrinar através de percursos transformadores que aproximem as pessoas em propósito. Onde se possa acolher, se sentir acolhido e reverenciar o que nos une e é responsável por nos manter vivos: nosso ecossistema, nossa casa.

Nossa herança no centro do continente é a Amazônia, que unifica 9 países com seus 5.500.000km². No Brasil, as demarcações indígenas são decisivas e essenciais para conter o avanço do desmatamento. Sua área abrange a maior floresta tropical e a maior bacia hidrográfica do mundo, sendo elas responsáveis pelo controle da estabilidade da temperatura e do clima do planeta, além de regular o sistema pluvial do país. Sua preservação é, portanto, essencial para a vida de espécies vegetais e animais, manter o equilíbrio do ecossistema e da qualidade do solo e diminuir a poluição do ar.

A ideia é de que o projeto seja inserido em uma área desmatada, onde todas comunidades serão convidadas a participar do seu reflorestamento. A partir de cidades maiores, serão feitas conexões através de percursos peatonais por terra (quando possível) e por passarelas elevadas que permitam a menor interferência possível na mata nativa e maior permeabilidade.

Todos os percursos se convergem para o mesmo lugar. Uma área circular térrea de vegetação rasteira, cujo centro é ocupado por uma edificação em formato hiperboloide de madeira. O público será direcionado através das passarelas elevadas diretamente ao primeiro pavimento da edificação central, e poderá deslocar-se ao térreo para realizar o contato direto com a floresta. Os pavimentos do edifício serão acessados através de rampas em formato espiral nas bordas externas do hiperbolóide. Conforme o indivíduo subir, mais terá ideia da interface e do contexto onde está inserido e mais íntimo será o espaço interno, provocando-o a refletir e a buscar por crescimento espiritual e a resgatar o senso de comunidade.

Equipe de projeto: Eduardo Possamai, Gustavo Görgen, Marina Capalonga e Maira Bender

Ano: 2020